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Notícia
14 de agosto de 2026El Niño e o trabalho a céu aberto: por que ACE e ACS precisam de uma jornada mais segura
Calor extremo, exposição solar e mudanças no clima aumentam os desafios enfrentados diariamente pelos trabalhadores que atuam nas ruas, á luta do SINDACSE e pela redução de nossa jornada de trabalho de 40 horas para 30 horas e por melhores EPIs de proteção a exposição aos raios solares.
Calor extremo, exposição solar e mudanças no clima aumentam os desafios enfrentados diariamente pelos trabalhadores que atuam nas ruas
O avanço do El Niño em 2026 acende um alerta para milhões de brasileiros, mas para os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes de Combate às Endemias (ACE), que realizam grande parte de suas atividades a céu aberto, os impactos podem ser ainda mais preocupantes.
De acordo com os órgãos oficiais de monitoramento climático, o fenômeno El Niño está associado, em diferentes regiões do Brasil, a alterações no regime de chuvas e ao aumento da probabilidade de temperaturas acima da média e de ondas de calor. Para a Região Sudeste, as projeções apontam possibilidade de temperaturas elevadas e episódios de calor mais frequentes e prolongados.
Na prática, isso significa que o trabalhador que percorre diariamente ruas, becos, terrenos, imóveis e comunidades pode estar submetido durante horas a sol intenso, altas temperaturas, desidratação e desgaste físico.
O perigo não está apenas no desconforto
Para quem trabalha exposto ao sol, o calor excessivo não pode ser tratado como algo normal da profissão.
O Ministério da Saúde alerta que a exposição prolongada ao calor pode provocar desidratação e outros problemas que podem evoluir para condições graves e potencialmente fatais. Entre os sinais de alerta estão transpiração excessiva, fraqueza, tontura, náuseas, dor de cabeça e cãibras.
Existe ainda outro risco que muitas vezes passa despercebido: a exposição solar ocupacional prolongada e repetida.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) considera a radiação solar um importante fator de risco ocupacional para trabalhadores que exercem atividades ao ar livre. A exposição repetida está relacionada ao desenvolvimento de câncer de pele, especialmente os carcinomas basocelular e espinocelular.
Ou seja: o sol faz parte do ambiente de trabalho de ACE e ACS, mas isso não significa que o trabalhador deva ser obrigado a permanecer exposto a ele de maneira excessiva e sem medidas adequadas de proteção.
ACE e ACS não podem ser tratados como máquinas
O trabalho dos agentes exige deslocamento constante, caminhada, abordagem da população, inspeções, visitas domiciliares, identificação de riscos, orientação das comunidades e diversas outras atividades.
É uma atividade essencial para o funcionamento do SUS e para a prevenção de doenças.
Mas justamente por ser essencial, precisa ser realizada com condições de trabalho que preservem a saúde de quem está na linha de frente.
Não é razoável ignorar os efeitos do calor extremo sobre trabalhadores que permanecem durante horas nas ruas.
A própria orientação do Ministério da Saúde sobre câncer de pele reconhece que, nas atividades ocupacionais, pode ser necessária a reformulação das jornadas de trabalho ou da organização das tarefas ao longo do dia, justamente para reduzir a exposição solar.
A luta pelas 30 horas
É diante dessa realidade que o SINDACSE reafirma uma bandeira que precisa estar cada vez mais presente no debate sobre saúde e segurança dos ACE e ACS:
A redução da jornada de trabalho de 40 para 30 horas semanais.
A discussão não pode ser vista apenas como uma questão administrativa.
Estamos falando de saúde do trabalhador, prevenção de adoecimento e valorização de profissionais que diariamente estão nas ruas protegendo a população.
Reduzir a jornada significa também diminuir o tempo de exposição a fatores de risco, possibilitar melhor recuperação física e mental e contribuir para que o trabalhador consiga desempenhar suas funções com mais segurança e qualidade.
Se o clima está mudando, o trabalho também precisa mudar
O El Niño não é responsável por todos os eventos climáticos extremos e seus efeitos variam de acordo com a região. Porém, os órgãos oficiais já alertam para temperaturas acima da média e maior possibilidade de ondas de calor em diversas áreas do país durante 2026.
Diante desse cenário, é necessário que gestores públicos olhem para aqueles que permanecem diariamente nas ruas.
Não existe prevenção em saúde pública quando o próprio trabalhador que promove a prevenção está sendo colocado em risco.
ACE e ACS cuidam da população.
Agora é hora de cuidar de quem cuida.
O SINDACSE seguirá na luta pela redução da jornada de 40 para 30 horas semanais, defendendo melhores condições de trabalho, proteção contra os riscos ambientais e, acima de tudo, o direito dos ACE e ACS de exercerem suas funções sem colocar a própria saúde em segundo plano.
30 horas não é privilégio.
É uma luta por saúde, segurança, dignidade e valorização profissional.
SINDACSE — na defesa de quem está todos os dias nas ruas cuidando da população.
Comentários (1)
Iraci Flora de Oliveira Silva14 de ago. de 2026
Espero que olhem com carinho para nossa classe que sofre nesse calor. Reduzindo nossa carga horária para 30 hs.

